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Sobe para seis o número de casos suspeitos de leptospirose na região




Seis casos suspeitos de leptospirose estão sendo investigados na região. Em Manhuaçu, um paciente morreu na segunda-feira, 10/02. Outros dois casos suspeitos da chamada doença do rato são também da cidade e há investigações sobre mais três pessoas de São João do Manhuaçu, Matipó e Mutum.

Na segunda-feira, o mecânico Antônio Luiz Silvério faleceu, cerca de 24 horas depois de ser atendido no hospital municipal (UPA) e depois no Hospital César Leite. Já nesta quarta, uma pessoa foi atendida na Unidade Básica do bairro Catuaí e encaminhado para a UPA. Outro caso está sendo apurado também na cidade.

A secretária municipal de saúde, Karina Gama, explica que foi coletado material para exames que irão confirmar a suspeita no caso registrado no domingo. “Infelizmente, o paciente veio a óbito e, um dos fatores, pode ter sido a demora para procurar atendimento médico. Ele começou a ter os sintomas no dia 04 e só procurou o serviço de saúde no dia 09, quando já ficou internado. O quadro foi se agravando e foi internado na UTI, mas não resistiu”, pontuou.

NÃO EXISTE VACINA

Karina explica que não existe uma vacina para leptospirose. A população deve ter cuidados com contato com lama, água dos rios, que podem ter fezes e urina de rato.

Desde a semana em que houve a enchente, o serviço de saúde vem fazendo visitas a domicílios pelos agentes de combate a endemias, entregou hipoclorito de sódio e foram emitidos alertas sobre cuidados com a saúde.

“A regra geral é que a pessoa tem que se cuidar. Deve buscar manter o cartão de vacina atualizado. Não há vacina para leptospirose, mas podemos evitar outras doenças imunopreveníveis com a vacinação. Fizemos imunização de difteria e tétano e tem outras vacinas oferecidas nas UBS. Todo cidadão pode procurar a UBS mais próxima”, pontua.

A Coordenadora de Vigilância em Saúde, Lorena Gonçalves, explica que o período de incubação (quando o vírus fica adormecido) é de 1 a 30 dias, com média é de 5 a 14 dias. Portanto, é fundamental observar os sintomas e procurar o serviço de saúde.

“A leptospirose é parecida como uma gripe e pode ser confundida. Se a pessoa apresentar uma gripe acompanhada de uma febre repentina e que não passa, deve procurar a UBS ou mesmo a UPA para verificar a causa. Outros sintomas são dor no corpo intensa, dor de cabeça, dor na região dos olhos, uma dor na panturrilha (popularmente como dor na batata da perna), sensibilidade à luz. As pessoas precisam ficar alertas aos sintomas. O serviço de saúde vai fazer a investigação e poderá confirmar, administrar o tratamento ou descartar a suspeita”.

Outro ponto importante é que o vírus está presente por vários meses na lama trazida pela enchente. “Se voltar a chover, o vírus pode ser reativado. Exposição a enchentes, lama, exposição de fossas, esgoto, lixo, entulho e inundações em geral – todos são locais em que há ratos, que são o principal reservatório dessa doença. Tudo isso favorece os casos de leptospirose”.

Por outro lado, Lorena destaca que o contato com a poeira não é uma condição de contaminação pelo vírus.

Quem perdeu o cartão, pode também procurar a UBS para verificar o cadastro que é possível que haja os registros no sistema de informação do SUS.

A DOENÇA

Leptospirose é uma infecção causada por bactéria que pode ter como sintomas febre alta, mal-estar, dor muscular, olhos vermelhos, tosse, cansaço, náuseas, diarreia, manchas vermelhas no corpo.

É uma infecção aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria do gênero Leptospira, que é transmitida por animais de diferentes espécies (roedores, suínos, caninos, bovinos) para os seres humanos. Esse micro-organismo pode sobreviver indefinidamente nos rins dos animais infectados sem provocar nenhum sintoma e, no meio ambiente, por até seis meses depois de ter sido excretado pela urina.

O contágio se dá pelo contato direto com a urina dos animais infectados ou pela exposição à água contaminada pela Leptospira, que penetra no organismo através das mucosas e da pele íntegra ou com pequenos ferimentos, e dissemina-se na corrente sanguínea.

No Brasil, os ratos urbanos (ratazanas, ratos de telhado e camundongos) são os principais transmissores da doença e o número de casos aumenta na estação das chuvas, por causa das enchentes e inundações. Infelizmente, o risco não desaparece depois que o nível das águas baixa, pois a bactéria continua ativa nos resíduos úmidos durante bastante tempo.

SINTOMAS

A doença pode ser assintomática. Quando se instalam, os sintomas são febre alta que começa de repente, mal-estar, dor muscular (mialgias) especialmente na panturrilha, de cabeça e no tórax, olhos vermelhos (hiperemia conjuntival), tosse, cansaço, calafrios, náuseas, diarreia, desidratação, exantemas (manchas vermelhas no corpo), meningite.

Em geral, a leptospirose é autolimitada, costuma evoluir bem e os sintomas regridem depois de três ou quatro dias. Entretanto, essa melhora pode ser transitória. Icterícia, hemorragias, complicações renais, torpor e coma são sinais da forma grave da doença, também conhecida como doença de Weil.

TRATAMENTO

Quanto antes for instituído o tratamento da leptospirose, maior será a chance de evitar a evolução para quadros mais graves da doença, que sempre requerem internação hospitalar.

A conduta inclui cuidados com a hidratação, uso de antibióticos, entre eles a penicilina, e de medicamentos para aliviar os sintomas. No entanto, devem ser evitados aqueles que contêm ácido acetilsalicílico, porque aumentam o risco de sangramentos.

Para humanos não existe vacinação. A vacina só está disponível para ser aplicada em animais. Mesmo assim, embora evite que fiquem doentes, não impede que sejam infectados pela Leptospira nem que transmitam a bactéria pela urina.

RECOMENDAÇÕES

Observe as medidas básicas de higiene. Embale bem o lixo, ferva a água ou coloque algumas gotas de hipoclorito de sódio ou de água sanitária antes de beber ou cozinhar;

Lave bem os alimentos, especialmente frutas e verduras que serão consumidas cruas;

Vacine seu animal e mantenha rigorosamente limpas as vasilhas em que são servidos alimentos e água;

Não deixe as caixas d’água destampadas;

Use luvas e botas de borracha se trabalhar em ambientes que possam ser reservatórios da Leptospira;

Não se automedique, se suspeitar de infecção pela bactéria da leptospirose.

Tribuna do Leste