outubro 18, 2019 7:49 am

Ação articulada elucida morte de taxista e prende dois envolvidos no crime




Dois suspeitos de participarem da morte do taxista e funcionário público de Manhumirim, Carlos Vicente Gonçalves, encontrado no interior de seu veículo Fiat Uno, placa HBO 1187, foram presos pela Polícia Civil. O corpo completamente carbonizado foi localizado na manhã do dia 13 de setembro, na localidade de Cachoeira Chata – entre Manhuaçu e Realeza. O delegado regional da 6ª Delegacia Regional de Manhuaçu (6ª DRPC), Carlos Roberto Souza, confirmou à reportagem, que a morte do taxista está esclarecida com a identificação das autorias e motivação. A tese de homicídio foi descartada e o caso se trata de um latrocínio – roubo seguido de morte.

Após encontrarem o corpo do taxista totalmente carbonizado, a equipe da Delegacia de Homicídios entrou no caso, realizou diversos levantamentos, analisou imagens de câmeras de monitoramento, desde a saída da vítima e suspeitos da cidade de Manhumirim até a passagem do veículo no bairro Ponte da Aldeia. Ainda foi feito o rastreamento de algumas ligações que pudessem fornecer elementos para a autoridade representar pela prisão preventiva dos dois acusados.

Na quinta-feira, 17, policiais deslocaram até à cidade de Carantiga e prenderam Gabriel Alves da Silva, 25 anos. No distrito de Vila Nova foi preso outro suspeito, identificado como sendo Edis Pereira Albino, 29 anos. Os dois são os principais acusados de terem cometido o crime de latrocínio e logo após atearam fogo no carro com o objetivo de destruir provas e dificultar a identificação da vítima. Mesmo assim, familiares reconheceram alguns objetos como sendo do taxista.

Durante as investigações, os policiais levantaram que os suspeitos chegaram à Manhumirim e obtiveram a informação de que a vítima era aposentada, trabalhava na prefeitura e poderia ter dinheiro. Assim, eles colocaram o plano em ação. Os investigadores observaram nas imagens cedidas que um dos envolvidos dirige-se a um determinado local, pega algo e carrega cuidadosamente até o veículo pertencente a Carlos Vicente. Passados 25 minutos, o veículo passa por Manhuaçu em sentido ao distrito de Vilanova. Tempo depois, o carro foi visto sentido à Cachoeira Chata seguido por um outro da mesma cor, que retorna na sequência. Para a polícia, o carro com os assassinos deixava a cena do crime.

Assassinos cruéis e sem limite

Até mesmo para os policiais mais experientes, que trabalham na Delegacia de Homicídios, a crueldade e a perversidade dos assassinos chamaram a atenção. A polícia acredita que a vítima tenha chegado no local sem vida. Em depoimento, um dos suspeitos contou que ficaram com a vítima até escurecer. Em determinado momento, Gabriel Alves disse ao comparsa que estava com medo de ser reconhecido pela vítima e, então, decidiram matá-la.

O suspeito disse que foi utilizada uma garrucha 38, porém, não soube dizer onde o disparo foi efetuado. Em seguida, saíram de Manhuaçuzinho com a vítima no banco de trás até o local isolado, usaram o acendedor de cigarro do carro e papeis para atear fogo e, depois, sem demonstrarem nenhum arrependimento, retornaram à Vilanova. “Não tinha ele como alvo. Apenas contratamos a corrida. Levamos somente 100 reais que pagamos pela corrida e nada mais”, disse o investigado.

Segundo o delegado regional, Dr. Carlos Roberto de Souza, a frieza demonstrada pelos suspeitos assusta devido a ousadia e a crueldade empregada para matar. “Eles tentaram destruir provas, ateando fogo no carro. São bastante calculistas naquilo que fazem”, relata. Em julho desse ano, os dois também praticaram um assalto a um taxista da cidade de Entre Folhas, que foi obrigado a entregar o cartão com a senha aos suspeitos. O veículo foi apreendido no Bairro Lajinha, na manhã de quinta-feira, 17, após a prisão dos dois acusados.

Gabriel Alves da Silva se envolveu em um outro crime da mesma natureza. Em novembro de 2015, juntamente com um outro comparsa assassinou o aposentado José Gonçalves Filho, 75 anos. Ele foi morto na zona rural do distrito de São Sebastião do Sacramento, enquanto caminhava para ir à missa.

A prisão dos suspeitos repercutiu junto aos taxistas de Manhumirim, que ao tomarem conhecimento sentiram-se aliviados. O taxista Jailson Veiga Aldeia, “Japa”, disse que ao saberem das prisões ficaram felizes, pois a forma com que o crime foi cometido os deixou muito assustados. “Estamos mais tranquilos. Queremos agradecer o empenho da Polícia Civil para a elucidação desse crime. O medo estava tomando conta de todos nós. Agradecemos as Polícias Civil e Militar no caso”, ressalta Jailson Veiga.

Eduardo Satil – Tribuna do Leste