setembro 24, 2019 7:56 am

Golpe da ‘receita médica’ é aplicado no centro de Manhuaçu




Diariamente é uma cena quase comum em Manhuaçu a presença de pessoas em situação de rua que buscam lugares para ficar. Já outras escolhem pedir dinheiro a fim de sobreviver ou se aproveitam da boa vontade de quem passa pelas avenidas, principalmente pela Praça Cordovil Pinto Coelho.

Percebe-se que o número de pedintes nessa situação tem aumentado e muitos utilizam “artimanhas” para realizar abordagens e conseguir vantagens. Alguns chegam a assustar os cidadãos, devido a maneira com que abordam, aproximam e agem.

Recentemente, uma cena chamou a atenção na Rua Luiz Cerqueira (centro). Uma senhora caminhava, quando foi abordada por outra mulher. Para ganhar a confiança, iniciou um bate-papo e em seguida apresentou uma ‘receita médica’ como forma de sensibilizar a abordada.

Antes de entregar a ajuda, outra pessoa que notou a cena alertou de que se tratava de golpe. A atitude irritou a pedinte, que fica sempre acompanhada e só não agrediu a senhora devido a intervenção de pedreiros que trabalhavam numa obra ao lado.

Esse tipo de abordagem também acontece a fiéis, quando estão em oração dentro da igreja Matriz de São Lourenço e para não serem indelicados acabam contribuindo com dinheiro. “A minha concepção é que a cidade está complicada e cada vez pior. Agora já partem para agressão. Se não der o que pedem ficam nervosos com a gente, alguns xingam e são terríveis”, disse uma mulher que foi abordada, mas pediu anonimato.

Do jardim da praça ao interior da matriz

Alguns já fazem da Praça Cordovil Pinto Coelho local de ‘trabalho’, permanência e chegam a pernoitar nos bancos e na marquise da Matriz. Durante o dia, quando cansam, aproveitam para dar uma cochilada entre os bancos da igreja, para não serem vistos e convidados a se retirar.

De acordo com o responsável pela manutenção da Matriz, João Batista Sales, constantemente é incomodado pelos moradores em situação de rua. Na igreja, eles também forçam para ficar. João Batista conta que além da marquise que fica ao lado da imagem, um deles quebrou o vidro de proteção. Alguns forçam para dormir ali, pois sentem-se mais protegidos.

Depois de ter sido necessário chamar a atenção de um andarilho acabou ouvindo ameaças. O homem tentou adentrar no espaço de trabalho para extorquir quem estava no estacionamento da igreja e se recusou a sair. “Eles não escolhem lugar para colocar em prática a ação. As pessoas chegam a desviar pela rua, outras mudam de calçada e a gente vai ficando de mãos atadas. A insegurança aumenta a cada dia e se agirmos estamos errados”, argumenta João Batista Sales.

Eduardo Satil – Tribuna do Leste