maio 24, 2019 7:58 am

Doença no coração causou edema pulmonar que matou modelo em desfile da SPFW, diz laudo do IML




Uma doença no coração não diagnosticada em vida provocou um edema pulmonar agudo que matou Tales Cotta durante desfile na 47ª São Paulo Fashion Week (SPFW), na Zona Oeste da capital. Essa é a provável causa da morte do modelo de 25 anos, ocorrida no dia 27 de abril, segundo laudo necroscópico obtido pelo G1. O documento ainda descarta a presença de drogas e álcool no organismo do rapaz.

O laudo será levado agora ao 91º Distrito Policial (DP), Ceasa, para ser anexado ao inquérito que investigava morte suspeita a esclarecer. Falta ouvir o depoimento do agente do modelo, para depois concluir a investigação e enviá-la à Justiça. Mas como, até este momento, não há indícios de crime, o mais provável é o que o caso seja considerado uma fatalidade e arquivado.

Segundo cópia do exame feito pelo Instituto Médico Legal (IML) da Polícia Técnico-Científica, Tales tinha uma cardiopatia que talvez nem ele soubesse que possuía. Cardiopatia é o nome genérico para algum problema cardíaco.

“Descartada a hipótese de intoxicação exógena aguda (vide resultado do exame toxicológico acima) e que a causa da morte não pode ser estabelecida, esta, provavelmente ocorreu devido a um edema agudo pulmonar secundário a uma cardiopatia prévia não diagnosticada”, informa trecho do laudo.

A reportagem do G1 ouviu três médicos, que aceitaram comentar o resultado do exame desde que seus nomes não fossem divulgados. Foram unânimes em afirmar que o documento não especifica, porém, qual era o tipo de cardiopatia que o modelo tinha.

Mas, de acordo com eles, isso não impediu os médicos legistas de concluírem que Tales morreu em decorrência de um problema no coração que evoluiu para um edema pulmonar agudo, o que seria bastante incomum em jovens da idade dele.

A cardiopatia pode provocar o edema pulmonar, acumulando líquido nos pulmões, segundo os médicos que analisaram o laudo do IML.

Em outras palavras, Tales teve um mal súbito antes de cair na passarela quando desfilava para a grife Ocksa, segundo consta no boletim de ocorrência do caso.

PRONTUÁRIO

Os mesmos médicos ouvidos pelo G1 analisaram cópia do prontuário do atendimento de Tales na ambulância, a caminho do hospital, e que também foi obtido pela reportagem.

Segundo os especialistas, o documento informa que o modelo foi socorrido já inconsciente e com parada cardíaca. Foi preciso o uso de massagem e desfibrilador para tentar reanimá-lo. A morte dele foi constatada no hospital.

No boletim de ocorrência, consta que Rogério Gomes da Silva, agente do modelo, declarou que Tales “teve um mal-estar e veio a cair na passarela, tendo uma convulsão”.

Em entrevista ao Fantástico no dia 28 de abril, Rogério ainda disse que o modelo havia passado por avaliação médica recente antes do desfile. Segundo o responsável pela carreira de Tales, o rapaz não apresentou problemas de saúde, o que o credenciou a trabalhar na SPFW.

IRMÃ

Logo após a morte de Tales, sua irmã, Alexandra Soares, disse que o modelo não sofria de anorexia nem usava drogas. “Eu quero esclarecer essas inverdades que estão dizendo sobre ele de drogas, anorexia, isso realmente não existe”, afirmou Alexandra.

“Ele fazia Crossfit, Yoga, meditava, não usava drogas, tinha uma alimentação super saudável. É difícil entender. Só mesmo quando a gente tiver o laudo na mão para saber o que realmente aconteceu. Existem várias especulações. Estão dizendo várias inverdades, como por exemplo, [que a causa foi] anorexia, droga, veganismo, estresse ou, ainda, porque não ofereceram lanche vegano antes do desfile. Umas coisas absurdas”, contou a irmã.

De acordo com ela, a família acompanhava o desfile pelas redes sociais quando foi surpreendida por gritos da plateia e a interrupção da transmissão. Naquele momento, a família imaginou que o modelo havia tropeçado ou caído durante o desfile, mas depois o diretor da agência telefonou informando que era algo grave.

Na época, Alexandra afirmou que o irmão estava num momento muito feliz, sonhava em atuar como modelo no exterior.

MÃE

A mãe de Tales, Heloisa Cotta, se manifestou nas redes sociais após a morte do modelo e reforçou que o filho não tinha problemas de saúde ou transtornos alimentares. “Sempre teve muita saúde e sempre se cuidava com exames periódicos, portanto as fatalidades acontecem, e era a hora dele”, escreveu ela.

AMIGOS

O modelo Lincon Catto, de 25 anos, trabalhou com Tales na SPFW. De acordo com ele, o colega estava aparentemente bem e não apresentou sinais de mal estar. “Ele estava ótimo. A gente foi para lá juntos e ele tinha se alimentado. Eu comi com ele lá”, contou.

Thalita Cruz, de 22 anos, também é modelo e contou que convivia com Tales nos trabalhos da agência. Ela disse que não tinha problemas de saúde. “Era vegetariano, se alimentava super bem e praticava exercícios. Tinha uma genética muito boa, comia de tudo e não engordava”, disse.

ENTERRO

O corpo de Tales foi enterrado no dia 29 de abril em Manhuaçu, em Minas Gerais, cidade onde ele nasceu.

AGÊNCIA

Por meio de nota, a Agência Base MGT, da qual Tales fazia parte, se pronunciou a respeito da morte, lamentando o ocorrido, informando que o modelo “sofreu um mal súbito” e “nunca apresentou ou se queixou de problemas de saúde”.

SPFW

A São Paulo Fashion Week também divulgou um comunicado a respeito da morte do modelo, informando que Tales “teve um mal súbito no desfile da Ocksa e foi prontamente atendido pelos socorristas”. “Foi levado ao hospital com vida, sem indicação que viria a falecer.”

G1.globo.com